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Mercado precisa reiniciar a máquina

  • Foto do escritor: Olívia Bulla
    Olívia Bulla
  • há 6 horas
  • 3 min de leitura
computador sendo reiniciado com símbolos do mercado financeiro e um globo terrestre ao fundo e com bandeiras de diferentes países
Mercado vai ter de aprender a fazer negócios de um novo jeito

Como acontece tradicionalmente a cada primeira sexta-feira do mês, hoje é dia de payroll. Mas os dados oficiais de emprego nos Estados Unidos (9h30) em março são o ponto de atenção de menor interesse dos investidores hoje. O que esperar, então, do discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell (12h25)?


O mercado financeiro ainda não conseguiu se recompor das “tarifas recíprocas” do governo Trump. Ainda assim, tenta um alívio hoje. A queda das bolsas nesta manhã não é tão forte quanto ontem e o dólar até sobe. Porém, os mercados sabem que o anúncio feito no “Dia da Libertação” não foi o fim, nem o começo do fim. Talvez, foi o fim do começo. 


Fato é que a história pós-taxação nem bem começou, como escreveu aqui nosso colaborador. Daí porque há traços de história passada na agenda econômica do dia. O estrago visto ontem nas bolsas de Nova York e o tombo generalizado do dólar deixou claro que os investidores estão fugindo do risco que se tornaram os ativos norte-americanos. 


Sem achismos


Mas fugir para os mercados de outros países - entre eles, o real e o IPCA+6% - buscando se refugiar da imprevisibilidade da Casa Branca é algo tão arriscado quanto. Apesar dos especialistas de plantão terem sido rápidos em dizer que “o Brasil é a bola da vez”, não dá para trabalhar com “achismos”. 


Isso porque o que Donald Trump fez na quarta-feira foi avisar que acabou aquele sistema de comércio global construído pelo próprio EUA desde a década de 1970 e que tornou o país o consumidor de último recurso para a superprodução (primária e de bens de consumo) do restante do mundo.  


Em outras palavras, “fazer a América grande novamente” implica na mudança de uma economia orientada para o consumo para um economia orientada para a produção. A pergunta que fica então é: se a América não vai mais comprar as mercadorias produzidas em outros países, quem vai? 


A China ainda não tem a classe média de 800 milhões de pessoas para consumir todos esses bens. Ainda vai levar uns dez anos para alcançar essa meta - que, talvez, até seja atingida antes, dada essa “ajudinha” de Trump e a luta do governo chinês para combater a deflação nos preços. O feriado hoje no país adia qualquer notícia vinda de lá.


Mercado repete história


O que deve acontecer primeiro é uma disputa acirrada e muita concorrência desleal entre todos os países produtores por mercados consumidores. Ainda que em moldes diferentes, o mundo volta à política que ficou conhecida como “Empobreça o seu vizinho”, que aconteceu pós-Grande Depressão de 1929 e que só acabou com o Acordo de Bretton Woods.


Foi o início do padrão ouro-dólar em 1944 que encerrou com as políticas de estímulo à economia nacional, desvalorização da moeda e cotas de importação, adotadas durante o Entre Guerras. Aí veio Richard Nixon e o seu famoso “devo, não nego, pago quando puder”. Portanto, a atual ordem liberal ocidental surgiu como resultado do Choque Nixon em 1971.


Agora, então, é a vez de Donald Trump reverter esse establishment, fazendo dos EUA um grande exportador e trazendo os dólares (e as Treasuries) de volta para casa. Talvez por isso Wall Street teve ontem uma queda tão pronunciada quanto aquela quando a pandemia do novo coronavírus deu um reset no mundo. 


Afinal, se Nixon remodelou o mundo uma vez devido à hegemonia dos EUA, Trump certamente pode conseguir fazer o mesmo novamente. A diferença é que o “sucesso” de décadas atrás não garante o êxito da nova versão, ainda mais com ares de mercantilismo do século 19 em pleno século 21 globalizado. Para Trump, o futuro pertence aos patriotas.


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