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Mercado se prepara para ser libertado

  • Foto do escritor: Olívia Bulla
    Olívia Bulla
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura
Investidores devem se livrar do risco no Dia da Libertação de Trump
Investidores devem se livrar do risco no Dia da Libertação de Trump

O “Dia da Libertação”, que é como o presidente Trump apelidou a data do anúncio de tarifas universais pelos Estados Unidos, acontece nesta quarta-feira (2). Mas enquanto a Casa Branca se prepara para “libertar” o país, os investidores também procuram se livrar de suas posições mais arriscadas no mercado financeiro


Ninguém sabe o que vem por aí. Na semana passada, Trump sugeriu que as tais “tarifas recíprocas” poderiam ser menores e menos extensas do que ele havia sinalizado antes. Mas quando sua equipe lhe apresentou uma proposta assim, ele reclamou e pediu tarifas maiores e mais extensas. 


O melhor, então, é o mercado estar preparado para o pior. O anúncio de tarifas deve incluir todos os países do mundo - e não apenas os top 10 ou 15 com os maiores superávits comerciais em relação aos EUA. Entre as opções à mesa, está a tarifa universal de 20%. Além disso, nenhum setor deve ficar de fora. 


Toma-lá-dá-cá


A “libertação” dos EUA baseia-se no fato de que as exportações norte-americanas são atingidas por tarifas mais altas no exterior do que o produto estrangeiro equivalente que entra no país. A questão é que a reciprocidade de tarifas é algo complicado de ser feito, pelo simples fato de que cada país cobra milhares de tarifas diferentes.


Daí porque é mais fácil haver uma retaliação de todos os países que serão atingidos do que, como acredita Trump, vários países decidirem eliminar as tarifas contra os EUA. Por isso, há certa desconfiança na capacidade de Trump em manter as tarifas recíprocas por muito tempo. 


O choque na própria economia dos EUA, desacelerando em direção à recessão, e os riscos de inflação podem suavizar a ameaça protecionista. Por outro lado, o objetivo da Casa Branca é arrecadar receita para financiar os gastos, dando às tarifas um caráter estrutural e duradouro. 


Mercado foge


Diferentemente de 2018, a guerra comercial de 2025 tem potencial para alimentar uma estagflação nos EUA, deixando para o Federal Reserve a escolha entre estimular a atividade, cortando os juros, ou evitar a alta dos preços, apertando a taxa. Trump não está nem um pouco preocupado com o impacto disso nos mercados, em especial de ações


Não é de agora que os investidores perceberam que Trump está mais tolerante com a fraqueza de Wall Street desta vez, em uma postura diferente de quase dez anos atrás. Tanto que os índices acionários norte-americanos tiveram nos três primeiros meses deste ano o pior desempenho trimestral desde 2022. 


Aliás, não deve ser à toa que o anúncio do plano tarifário ocorrerá após o fechamento do mercado de ações nos EUA, e deve entrar em vigor imediatamente. 


O objetivo dos EUA é manter sua hegemonia global, diante da ameaça da ascensão da China. Por isso, um mundo mais geopolítico não depende exclusivamente do pensamento econômico habitual. Ao contrário, a política econômica é usada para objetivos de política externa. Então, esqueça as ferramentas fiscais e monetárias para fins econômicos.


Para onde?


Mas se o Ibovespa andou na contramão de Nova York no início deste ano, conquistando o melhor trimestre em um ano, a decisão do investidor não é tão óbvia quanto parece. Ao fugir do risco nos EUA, o refúgio pode estar onde menos se espera. Tanto que os títulos públicos brasileiros, tão desenhados até pouco tempo, viraram refúgio por aqui.


Na agenda de indicadores econômicos do dia, destaque para mais um dado do emprego nos EUA antes do payroll, na sexta-feira. Às 9h15 sai a pesquisa ADP com a criação de vagas no setor privado do país em março. Antes, às 9h, tem os números da produção industrial no Brasil em fevereiro.


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