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Mercado de ressaca da taxação de Trump

  • Foto do escritor: Olívia Bulla
    Olívia Bulla
  • há 21 horas
  • 3 min de leitura
Mercado amanhece de ressaca no dia seguinte à taxação mundial de Trump
Mercado amanhece de ressaca no dia seguinte à taxação mundial de Trump

O mercado financeiro amanhece de ressaca no dia seguinte à taxação mundial de pelo menos 10% do governo Trump. Os investidores não estão acostumados com a postura anti-mercados e pró-impostos de um republicano na Casa Branca. Ainda que seja sob a alegação de colocar em risco a segurança nacional e econômica dos Estados Unidos. 


Mas as tarifas recíprocas anunciadas no chamado “Dia da Libertação” deixaram claro que não dá mais para fazer negócios como antes. Daí porque para fugir do risco, os investidores não devem buscar proteção em ativos seguros como o dólar e os títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries). Não se trata de uma boa opção.


Os mercados também vão precisar se reinventar e inovar para garantir retornos atrativos em meio aos riscos no cenário para os EUA e o sistema global. Nesta manhã, os futuros dos índices das bolsas de Nova York caem forte, entre 2,5% e 3%, o que deve contaminar o pregão regular. O dólar e o juro projetado das Treasuries também recuam firme. O ouro também cai.    


Taxrump ou Trumpax?


Fato é que cada um faz como pode. O ministro Fernando Haddad recebeu o apelido de “Taxxad” à medida que o governo Lula implementou mudanças para recolher mais impostos dos ultrarricos. A artilharia da Fazenda estava voltada ao mercado, tributando letras e certificados financeiros, além de fundos especiais, quase que inacessíveis.


Como será, então, que esse mesmo mercado vai chamar Trump agora? “Taxrump”? Ou “Trumpax”? O que não dá é apoiar o uso de ideias do século 19, tão comuns durante o mercantilismo, em pleno século 21 sob o argumento de que vai dar certo. Ainda mais considerando-se a forma simplista de cálculo para definição da tarifa.


A equipe de Trump apenas pegou o valor total da exportação de bens de cada país para os EUA e dividiu pelo saldo comercial do país. Então, dividiu novamente o valor por 2 - para calcular a média. Nenhum abaixo de 10% - tido como piso da taxação - seria aceito. Trata-se da taxa que o Brasil recebeu, e o Irã também. 


Assim, quanto maior o déficit comercial nominal de um país com os EUA ajustado para o tamanho absoluto das importações daquele país, maior a tarifa. No geral, os EUA aumentaram a tarifa média ponderada para 29%, a maior em cem anos. No fim, o “Choque Trump” quer tirar dólares dos exportadores e trazer os ativos financeiros de volta para casa, revertendo a ordem reinante desde a década de 1970.


Autossabotagem


Torturar os números é uma arte. Ainda mais quando apresentado assim, de forma bruta, o que leva a conclusões absurdas. “Se eu como um frango e você comeu nenhum, na média, pela estatística, ambos comemos meio frango. Mas quem está de barriga cheia?” Seguramente não serão os cidadãos norte-americanos. São eles que vão sentir o impacto da política comercial da Casa Branca no bolso e no emprego.  


Mas Trump não está se concentrando o suficiente na questão interna dos EUA. Ele está mais preocupado em manter a hegemonia global. 


Trata-se de um movimento que vai ao encontro da tendência da história mundial. Os impérios do passado entraram em colapso por dentro, devido a sua excessiva expansão para fora em busca de ostentar sua superioridade, como se os problemas - domésticos, principalmente - pudessem ser resolvidos através de esforços para fortalecer a hegemonia. 


Daí porque a taxação de Trump anunciada ontem deve ter pouco apoio para promover uma causa injusta. De um lado, se os EUA agirem sozinhos, isso traz incerteza. De outro, se tentarem conquistar aliados para se juntarem a eles contra a China, isso também implica em incerteza - diferente da outra, mas igualmente incerta.


Ou seja, as tarifas recíprocas de Trump apenas deram início a uma batalha mundial. Resta saber de que forma e com qual desfecho. Portanto, os mercados podem até estar sóbrios hoje, mas o cenário global ainda está embriagado de incertezas.


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